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VIAGEM-TESTE
por Suzane Carvalho


JAC J2 é bonitinho, urbano, mas com fôlego para estrada
       

 

 

JAC J2 foto: Suzane Carvalho

Foi lançado esta semana o J2, o carro pequeno da JAC Motors. Ele é importado da China, mas sofreu mais de 360 alterações para o mercado brasileiro. A começar pelo motor: enquanto o J2 vendido na Ásia tem motor 1.0 três cilindros, o brasileiro chega com motor 1.4 quatro cilindros. Se o motor é maior, quase tudo tem que ser modificado, já que a alimentação, refrigeração e escapamento serão outros também. Até a grade dianteira do carro teve que ser aumentada.

Minha primeira impressão quando olhei para ele: é muito bonitinho. Isso basta? Bem, quem vai a uma concessionária olhar o carro porque ele é bonitinho, se satisfaz, pois ele continua sendo bonitinho por dentro. É um ambiente agradável e que não causa stress. A qualidade do material de acabamento é bastante satisfatória para a faixa de preço do carro: R$ 30.990,00.

Praia de Subaúma, BA

Andei com ele por pouco mais de 200 km na cidade, na estrada e em uma estrada fechada. Me senti super bem na posição de guiar. O espaço lateral é bom. O braço esquerdo não bate na porta que tem um bom apoio e espessura, dando impressão de robustez. O braço direito também não bateu em nenhum lugar (muitos apoios de braço incomodam). A regulagem de distância do banco é bem ampla. Do encosto também. Só não tem regulagem de altura. Deu para esticar totalmente a perna esquerda, ficando em uma posição de descanso confortável. Como o carro é alto, um motorista grande (tanto em altura quanto em largura) não se sentirá espremido no interior no J2. As maçanetas das portas são boas e de um modo geral, não passam impressão de fragilidade.

O volante acerta altura, mas bem pouco. Para mim a posição ficou boa. Curioso e interessante é que quando você acerta a altura dele, todo o painel mexe junto. Assim nenhuma informação fica coberta pelo aro do volante. Só acho que a JAC pecou na espessura dele. Da mesma forma que nos outros modelos da marca, achei-o muito fino. Falando em painel, ele é bem simples, mas também bonitinho. Tem somente as informações básicas mesmo. Velocímetro grande no meio com o hodômetro total e um parcial. À direita o marcador de combustível e à esquerda o conta-giros. As luzes espia estão espalhadas no centro do velocímetro. A visualização do conta-giros é prejudicada pelo traço dos números muito espesso. Se fosse mais fino a leitura seria mais fácil. Isso é algo simples de ser resolvido pela JAC. A luz de fundo de todo o painel é azul, assim como a do console central.

Os comandos estão em posição boa, bem perto da mão. Os retrovisores são bons e apesar de o vidro traseiro ser pequeno, não atrapalha a visibilidade. Fiz bastantes manobras com ele e não vi problemas. Com a direção elétrica, o volante é bem leve para tal e o raio de giro é bom.

O ar-condicionado também é bom, mas achei esquisita a saída central. Ela fica em cima do console, voltada para o vidro dianteiro, e não tem regulagem. Não sei se foi projetado assim para desembaçá-lo ou para que o ar chegue mais facilmente para quem vai no banco de trás. Senti falta do vento no braço direito. No lado esquerdo tem saída e é regulável, assim como no lado direito do carona. Talvez quem nunca teve ar-condicionado em um carro ou tem o J2 como primeiro carro, não sinta esta necessidade.

Tem sensor de ré, espelhinho no para-sol também do motorista, dégradé no vidro dianteiro, ajuste elétrico dos retrovisores, abertura do porta-malas por dentro do carro, alças de segurança na frente e atrás. Na frente tem controle elétrico dos 4 vidros, que fica no console central, abaixo dos controles do som. A caixa de fusíveis está bem à mão e até que tem bastante porta-trecos: lugar para garrafa, moedas, copo e espaço e nas portas. Tem apenas uma palheta do limpador de para-brisas, mas ela é eficiente. O controle tem temporizador e 3 velocidades. No vidro traseiro tem desembaçador mas não limpador. O som tem 6 autofalantes, lê mp3, tem entrada USB, mas não acompanha a mesma qualidade do J3. O porta-luvas não tem tampa.

 

Em relação ao espaço no banco traseiro, deixando o banco do motorista na minha posição de guiar, sentei atrás e tive espaço para as pernas sem bater com o joelho no banco da frente. Meço 1,70 m. Tem cinto de segurança de 3 pontos para os passageiros das extremidades e de 2 pontos para quem for no meio. A espuma é bem boa. Tem também porta-trecos nas portas traseiras.

O porta-malas é pequeno (121 litros), mas o encosto do banco de trás rebate facilmente e por inteiro, de forma que dá para aumentar este espaço.

O compartimento do motor é pequenininho, mas mesmo assim ele está alocado de forma que tem espaço ao seu redor para que haja uma boa refrigeração. Ele tem um ronquinho gostosinho. É um 4 cilindros com 1.332 cc (considerado como 1.4) com 16 válvulas e duplo comando VVT (variável) no cabeçote. São 108 cv a 6.000 rpm, bem onde o limitador corta. O torque é de 14,07 kgf.m a 4.500 rpm. A taxa de compressão é de 10,5:1. A relação diâmetro x curso do pistão é bem equilibrada: 75 mm x 75,4 mm.

O câmbio é bem preciso e macio. A partir da 4ª marcha a relação é longa, com o objetivo de economizar combustível. Mas como ele já chega a 140 km/h em 3ª, tem motor suficiente para qualquer ultrapassagem. As máximas em cada marcha foram:
1ª 55 km/h
2ª 96 km/h
3ª 140 km/h
4ª 180 km/h ainda sem cortar
5ª 187 km/h

Fiz um "de 0 a 100" e ficou em 10.2 segundos. Na ficha técnica oficial diz que faz em 9,8. Perde um pouco porque tem que colocar a terceira marcha. Mas de 0 a 95 faz rápido o suficiente para se você tiver que acelerar para escapar de um acidente. Afinal, o carro pesa somente 915 kg. É um carro urbano, mas que tem um bom fôlego para enfrentar uma estrada. Só que nem de perto é para ser utilizado nesta velocidade. Como tem entre-eixos e bitola curtos e é um carro leve e alto, a partir de 150 km/h começa a balançar. Se entrar no vácuo de um ônibus ou caminhão, tem que ter habilidade na saída. Inclusive de túneis.

A suspensão é bem firme sem deixar de ser confortável. Independente McPherson com molas helicoidais e barra estabilizadora na frente e independente Dual Link com molas helicoidais na traseira. Esse é um acerto fantástico de toda a linha da JAC Motors: suspensão independente na traseira. O controle do carro é muito mais fácil, e mesmo eu forçando bastante nas curvas ele se manteve sempre com as 4 rodas no chão, mesmo sendo um carro pequeno, estreito, com 3,535 m de comprimento e 1,64 m de largura. Tem 1,475 m de altura e entre-eixos com 2,39 m. As rodas são de liga de alumínio de medidas 175 x 60 x 14".

SEGURANÇA

Fiz frenagens fortes a 120 km/h e gostei bastante do freio. Tem boa pegada e o carro fica equilibrado, não desviando da trajetória. Na frente é a disco e na traseira a tambor com sapatas auto ajustáveis. Tem ABS com EBD (distribuição da força da frenagem entre as rodas). Tem airbag duplo na frente e luzes de neblina na dianteira e na traseira do carro, além do brake light e travamento automático das portas a partir de 15 km/h. Apesar de todos esses itens, recebeu apenas duas estrelas no teste de segurança do Ncap.

O tanque de combustível tem capacidade para só 35 litros, reforçando sua tendência para carro urbano.

Tem nas cores preto, branco, vermelho, laranja, amarelo, prata e grafite. Tem também alguns itens de personalização como as rodas que podem ser pintadas, os retrovisores que podem vir de outra cor, e faixas coloridas colocadas no capot, capota e na traseira.

Para ser o primeiro carro de um universitário ou um veículo para fácil circulação urbana, ele é perfeito. Se precisar ou quiser pegar estrada, o J2 a enfrentará facilmente, não sendo incômodo para motorista nem passageiros.

Como um hatch compacto, o J2 é um pouco menor que seus concorrentes diretos, mas oferece itens que em alguns, nem como opcional. O objetivo de Sergio Habib, presidente da JAC Motors do Brasil, é vender pelo menos 800 unidades por mês. A garantia do carro é de 6 anos.

Gostei.

Confira a galeria completa aqui.

 

20 de Dezembro de 2013


NOTA: 06/03/2013: Em seu primeiro mês completo de vendas na versão 2014, o Honda Civic alcançou em fevereiro a liderança no segmento de sedans médios no Brasil, com 3.977 unidades emplacadas.