VIAGEM-TESTE
por Suzane Carvalho


Teste da Kasinski Comet GT 650R 2012

       

Fotos: Bel Brandão

A Comet GT 650R na pista de Interlagos

     Peguei a moto e ela estava com apenas 203 km rodados. Ou seja, com o motor ainda amaciando. Andei por 686 km, deixando-a com 889.

     Achei-a confortável, suave em todas as suas reações, surpreendente na estrada e excelente opção para quem está subindo de categoria e entrando no mundo das esportivas. É uma boa relação custo/benefício.

     Seu motor tem exatos 647 cm³ divididos em 2 cilindros dispostos em “V” com 4 válvulas cada um, comando duplo roletado no cabeçote, alimentado por injeção eletrônica e refrigerado a água. A potência máxima é de 89,6 cv a 9.250 rpm e o torque, 6,9 Kgf.m a 7.250 rpm. Ele corta a 10.500 giros. A relação diâmetro x curso do pistão é de 81,5 x 62 mm e a compressão não é declarada.

     Não é um motor que despeja a potência toda de uma vez. Ela vem de forma bem gradativa e convida aos iniciantes a enrolarem o cabo até o fim, pois não assusta.

     Ele nunca aquece muito e o marcador de temperatura ficou sempre no meio, tanto na pista quanto no trânsito e na estrada. Mas quando andei com um jeans mais fino, a perna esquerda esquentou um pouco por causa do cabeçote do motor que fica bem ali.

     A suspensão dianteira é telescópica invertida e tem acerto de compressão e retorno dos amortecedores. Não tem de mola. A suspenão traseira que é com balança monoschock, tem acerto de mola e não tem de amortecedor. É um pouco “chatinho” de mexer na mola, mas vale a pena.

     Vem com pneus de medida 120/70/17 na dianteira e 16/60/17 na traseira, montados em rodas de liga leve.

     Ela mede 2,095 metros e tem entre eixos de 1,445 m. Tem 70 cm de largura e 113,5 cm de altura. A distância mínima do solo é de 16,5 cm, e o banco fica a 83,5 cm dele. Estas últimas, medidas um pouco altas para uma esportiva. Sem combustível nem óleos, pesa 198 kg. É pesada para a categoria, mas não achei pesada de guiar.

     O freio dianteiro é composto por dois discos com duas pinças com quatro pistões cada uma, e o traseiro tem um disco com uma pinça de dois pistões. Nem é forte nem fraco, mas como toda a moto, é suave. Porém, não sei se devido ao motor ainda preso, mesmo chegando a uma velocidade de 196 km/h no final da reta de Interlagos, dava para tirar a mão lá pelos 75 metros, que ela parava bem.

     O painel tem conta-giros analógico com as outras informações ao lado, em um mostrador digital. São dois hodômetros parciais além do total, relógio, temperatura e marcador de combustível que tem 8 tracinhos. Tem também controle de iluminação dele.

     O design me agrada. Duplo farol, lanterna traseira em led, setas discretas, escapamento em aço inoxidável preto e para-brisa com boa angulação e funcional. Só que na chuva ele embaçou.

NA PISTA DE INTERLAGOS

     A moto estava com o acerto de suspensão mais para mole. Dei meia dúzia de voltas na pista para aquecer máquina e piloto, e quando comecei a pedir mais no acelerador, ou seja, a acelerar mais rápido, ela começou a mexer um pouco.

     O amortecedor dianteiro tem 9 regulagens de bump (compressão). Deixei-o com apenas 1, ou seja, quase todo duro. Tem 29 regulagens de rebound (retorno) e deixei com 4.

     Depois mexi na traseira: são 5 posições para ajustar a pré-carga da mola. Ela estava toda mole, e fui para 4. Exige um pouco de força para mexer nela. A calibragem dos pneus estava em 30/35.

     Mais tarde baixei os pneus para 29/29, mas achei que a moto colou ainda mais no chão. Como não é um motor de dar patada, a calibragem mais alta vai melhor, pois ela mexe menos e “rola” mais. Prega menos no chão, deixando-a mais solta. A recomendada pelos fabricantes é 33/36, que foi o que usei na primeira saída.

     Conforme fui exigindo mais da moto, a frente foi pregando mais em relação a traseira. No final, andei com ela o mais rígida possível, só dando um ponto de respiro no amortecedor. E deixei assim também para estrada e para a rua. Mas para andar desse jeito nas ondulações e remendos de nosso asfalto, é preciso ter prática, pois um solavanco pode derrubar um motociclista menos experiente.

     No final da reta dos boxs ela chegou a 196 km/h em 5ª marcha (são seis) e no final da reta oposta, a 186 km/h. É um bom desempenho para o que a moto se propõe.

Gostosa de andar na estrada

NA ESTRADA

     Foi onde a Comet GT 650R me surpreendeu. É macia e o motor não vibra muito.

     O tanque de combustível tem capacidade para 17 litros e o consumo ficou em 14,52 km/l na cidade, 12,83 km/l na estrada e 9,5 km/l na pista.

     Tem em quatro cores: toda vermelha, vermelha com cinza, branca com cinza e vermelho (essa que testei), ou preta com cinza.

     O preço é o menor entre as esportivas de média cilindrada: R$ 25.300,00 a toda vermelha e R$ 100 a mais por uma de duas cores.

     VEJA AQUI um video de duas voltas com a Comet GT 650R 2012 em Interlagos.

Confira a galeria completa aqui.




09 de Agosto de 2012