VIAGEM-TESTE
por Suzane Carvalho


Teste da nova moto da Honda, a NC 700X

       

FOTOS: CAIO MATTOS

     A NC 700X foi apresentada mundialmente em novembro do ano passado no Salão de Milão. Oito meses depois, é lançada aqui a versão brasileira, produzida em Manaus.

     Lançando uma nova categoria, a Crossover, a mesma em que incluiu seu carro CRV, a proposta da Honda é que ela seja uma Big Trail para uso urbano. A definição de Crossover é: um estilo esportivo-urbano. Ou um on/off- road com estilo naked. Ou uma naked com visual com espírito de aventura. Talvez, um aventureiro não radical. O visual é robusto, mas a moto é confortável.

     Tem suspensão suave, posição ereta de guiar, pneus street, rodas de liga leve aro 17” na frente e atrás, com medidas 120/70 na dianteira e 160/60, na traseira. O torque e a potência do motor estão em uma faixa de giro bem baixa para que você tenha o máximo de desempenho ainda em baixas rotações, visando o uso em cidades.

     Para que não haja dúvidas, já esclareço: não é o mesmo motor da Transalp, mas sim um motor inédito da Honda.

     É bicilíndrico com pistões paralelos, 4 tempos, 669,6 cm3, comando simples de válvulas no cabeçote (SOHC), arrefecido a líquido, injeção eletrônica PGM-FI (Programmed Fuel Injection). São 52,5 cavalos a 6.250 rpm e torque de 6.4 kgf.m a 4.650 rpm, bem baixinho. Na verdade o motor corta a 6.500, então o ideal é trocar a marcha antes disso, dentro da faixa de melhor rendimento dele, até no máximo os 6.250 rpm.

     Esse desempenho em baixas rotações define bem a principal vocação da NC 700X para o uso urbano.

     A compressão é de 10,7:1. Para um movimento suave das válvulas, a árvore de manivelas tem balancins roletados.

     O deslocamento do pistão é grande. A relação diâmetro x curso é de 73 x 80 mm, o que define mais torque. Aliás, Os dois pistões trabalham com diferença de 270°. Visando reduzir o atrito, receberam tratamento de resina.

     Na parte de baixo, tem dois grandes balanceiros que trabalham em movimento oposto ao dos pistões, para equilibrar o peso e diminuir a vibração do motor. O catalizador fica mais próximo dos cilindros e o bloco é novo.

     A bomba d’água está no cabeçote e não tem coletor de admissão. Os dutos de admissão de ar estão diretamente no cabeçote. Tudo isso adicionado à posição do motor, bem inclinada, faz com que o centro de gravidade seja baixo, e dê à NC 700X uma boa estabilidade.

     As 1ª, 2ª e 3ª marchas são curtas, enquanto que as 4ª e 5ª já são consideradas over-drive, e a 6ª, super over-drive.

     Testei a moto na pista de testes da Honda que fica a aproximadamente 80 km de Manaus. A reta tem aproximadamente 1.300 metros e as velocidades máximas em km/h que alcancei em cada marcha foram:

     1ª - 62; 2ª - 92; 3ª - 119, 4ª - 143, 5ª - 168, 6ª - 182 a 5.250 rpm. Fez de 0 a 100 km/h em 5.8 segundos.

     O chassi é do tipo Diamond Frame multitubular de aço. A suspensão é mais longa que uma street, mas não chega a ser tão longa como uma off-road. A dianteira é garfo telescópio com 153,5 mm de curso. A traseira conta com mono-amortecedor do tipo Pro-Link, com 150 mm de curso. Tem regulagem de pré-carga de mola, mas muito pouca.

     Ela mede 2,21 m, tem 83,1 cm de largura e 1,28 m de altura. A distância entre eixos é de 1.538 mm. Mais longa que a da Transalp, que é de 1.512 mm.

     A altura do banco está a 83,1 cm do chão e a altura mínima do solo é de 16,4 cm.

     Sem combustível nem óleos ou água, pesa 206 kg a versão com C-ABS e 202 a standard, que recebe freios a disco de 320 mm de diâmetro na dianteira e cáliper de dois pistões. Na traseira, disco único de 240 mm com cáliper de um pistão. Já a versão com Combined ABS (C-ABS), tem na frente pinças de três pistões.

     Gostei do design e da proposta da moto. Tem ainda um pequeno para-brisa e lâmpadas de 60/55 w.

     O painel é 100% digital com relógio e dois hodômetros parciais, além do total. O marcador de combustível tem só 5 tracinhos.

     Outra novidade da NC 700X é a posição do tanque de combustível. Em vez de estar no lugar usual, na frente do piloto, ele fica embaixo do piloto e o acesso a ele é por baixo do banco do carona. No lugar tradicional do tanque, há um imenso porta-objetos que cabe inclusive capacete.

     É claro que ela pode ser usada também em estrada, e acredito que seja uma boa opção para tal. Faz até 30 km/l de gasolina e no tanque cabem 14 litros. A reserva é de 2,9 l. Se você andar com giro baixo, sem acelerações bruscas, dá para andar 400 km sem abastecer. Se tivesse 3 litros a mais, a deixaria com autonomia de 500 km.

     A Honda quer vender 300 unidades da NC 700X por mês. Tem nas cores branca com preto e vermelha com preto. O preço, sem frete, é de R$ 27.490,00 ou 29.990,00 a versão com ABS. A garantia é de um ano com quilometragem livre.

     Para mostrar que são três propostas bem diferentes, no lançamento a Honda fez questão de colocar a Transalp e a Hornet junto dela.

     Outras duas motos foram desenvolvidas utilizando o mesmo chassi e o mesmo motor da NC 700X. Uma é naked, chamada de NC 700S e a outra é uma Scooter, chamada de NC 700D.

     CLIQUE AQUI para ver um video de apresentação da nova NC 700X.

Confira a galeria completa aqui.

 



01 de Agosto de 2012