VIAGEM-TESTE
por Suzane Carvalho


1º contato com a “Sertão”, versão off-road da BMW G 650 GS

       

 

     O lançamento mundial da BMW G 650 GS Sertão foi no Brasil em outubro do ano passado, e ela começa a chegar às concessionárias do Brasil nesta semana.

     Andei com ela por 153 quilômetros de trilhas e estradas, a maioria de terra, saindo de Campos do Jordão, subindo até Paraisópolis já em Minas Gerais, de lá a Consolação, Cambuí e então descendo para Monte Verde via Camanducaia, fazendo o circuito turístico Vale do Baú. Trechos off-road combinados com asfalto. Achei-a bastante confortável. Em trechos sinuosos de asfalto, a estabilidade dela foi muito boa, mesmo utilizando os pneus off-road. Já em retas de alta, ela vibra um pouco. A velocidade final é de 170 Km/h e faz de 0 a 100 em 5,7 segundos.

     Vamos começar pelo mais importante para quem faz viagens longas em trechos off-road: ela pesa 193 kg e pode carregar até 380. O banco está a 86 cm do chão, mas existe opção de deixá-lo mais alto, com 90 cm. Vem com ABS que pode ser desconectado, o que achei ótimo, pois para descer uma montanha íngreme na terra em cima de pedras soltas é preciso utilizar mais freio na traseira do que na dianteira. Para conforto, a manopla tem aquecimento e vem com tomada 12 volts para carregar bateria de celular, gps ou lanterna.

     O motor monocilíndrico de 652 cc tem 4 válvulas com duplo comando no cabeçote, potência de 48 hp a 6.500 rpm e torque de 6,1 kgf.m a 5.000 rpm. Ele corta a 7.500. A compressão é de 11,5:1 e relação diâmetro x curso do pistão é de 100 x 83 mm. A biela tem 120 mm. A alimentação é carburação BMS-C II com entrada de ar de 36 mm e saída de 31 e o diâmetro da válvula reguladora é de 43 mm. No escape tem conversor catalítico (catalisador) de três vias com sonda Lambda. A refrigeração é a água.

     São cinco marchas e a relação final é por corrente.
Eis as relações:
Razão primária: 1,946
Razão de transmissão de marcha
1ª: 2,750
2ª: 1,750
3ª: 1,313
4ª: 1,045
5ª: 0,875
Razão de transmissão: 2.937

     A suspensão dianteira é garfo telescópico de 41 mm de diâmetro com estabilizador e curso de 210 mm e a traseira, garfo oscilante de alumínio de caixa dupla de seções de aço (dois braços), amortecedor a gás atuado por sistema de balancim central, e mola com também 210 mm de curso com ajuste de pre-carga. O chassi é de aço, para resistir aos solavancos dos percursos off-road.

     Ela mede 218,5 cm por 92 de largura e tem medida entre-eixos de 148,4 cm. As rodas são de liga leve com raios de arame, aro 21” na dianteira e 17” na traseira. A BMW indica três opções de pneus da Michelin, Bridgestone e Metzeler de medidas 90/90 R21 na dianteira e 130/80 R17 na traseira.

     O freio dianteiro é disco único oscilante com 30 cm de diâmetro e pinça de duplo pistão. Na traseira, disco de 24 cm e pistão único. Tem ABS que pode ser desconectado.

     Não andei à noite com ela, mas a lâmpada do farol é halógena de 55 W. O tanque tem capacidade para 14 litros de combustível, e segundo informações da fábrica, faz até 26,3 km/l.

     Alguns acessórios estão disponíveis, como as maletas laterais, bolsa para colocar em cima do tanque, top case e para-brisa fumê.

     Comparando com a versão mais comportada da G 650GS, a Sertão tem curso de suspensão mais longo (a irmã mais velha tem 170 mm na dianteira e 165 na traseira), rodas de liga leve com raios de arame em vez das de alumínio fundido, aro 21 na dianteira em vez do 19 e mais estreito em 0,5”, e por isso ela fica 2 cm mais longa. O banco também é mais alto em 6 cm, podendo subir ainda outros 4. O entre-eixos é 7 mm maior. O para-brisas também é mais alto e o para-lama dianteiro maior. Tem também protetor de cárter em alumínio.

     A pintura é esta característica branca com azul, e o preço é de 32.800,00 que pode ser financiado em até 60 vezes.

     A família “GS” foi desenvolvida desde o início voltada para o enduro e é feita para viajantes aventureiros. Com seus cinco modelos, ela representa 70% das vendas da BMW Motorrad no Brasil, que oferece ainda outros seis modelos para o brasileiro, sempre com motores acima de 650 cc.

     Com a entrada de novos modelos as vendas no país estão crescendo de forma que em breve estaremos entre os seis maiores mercados da empresa no mundo. Estamos atrás da Alemanha, Itália, Estados Unidos, França, Espanha e Inglaterra, que ano passado vendeu 7.000 motos enquanto o Brasil emplacou 5.553 motocicletas da BMW. É bom lembrar que a fatia de motocicletas acima de 500 cc por aqui é de apenas 2,5% do total.

     O crescimento das vendas das motocicletas da BMW no Brasil foi de 109% em 2010 e de 71% em 2011.

     A meta para 2012 é crescer ao menos 10% atingindo um total de 6.000 motocicletas vendidas.

     A moto mais barata vendida aqui é exatamente a G 650 GS por R$ 29.800,00.

Confira a galeria completa aqui.




07 de Maio de 2013