VIAGEM-TESTE
por Suzane Carvalho


Yamaha R1: tem que ter peito para acelerar!

       

Fotos: Sylvio dos Santos Junior

     ABS? Controle de tração? Piloto que é piloto dispensa essas coisas. Quer mesmo é “meter a mão” e sentir a moto empurrar e empinar.

     A R1 até tem três modos de mapeamento da injeção de combustível no motor: forte, fortíssimo e mais forte ainda. O curto curso do pistão, de 53,6 mm contra 77 mm de diâmetro, já anuncia que o giro do motor sobe rapidamente. Andar abaixo de 3.000 giros, nem pensar. Ela nem funciona direito.

     A Yamaha YZF R1 foi a moto Campeã do Mundial de SuperBike de 2009 com o piloto Ben Spies. A 2012 que testei tem 182 cavalos a um giro um pouco alto, 12.500. Mas é por lá que é bom andar com ela, e o torque de 11.78 kgf.m está mais embaixo, a 10.000. Ela corta a 13.500 e a taxa de compressão é de 12,7:1.

     São quatro cilindros em linha que totalizam 998 cc, com quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. O virabrequim é do tipo “Crossplane” que permite diferentes seqüências de ignição, nos 270º-180º-90º-180º. A refrigeração é a água.

     Em 1ª marcha ela chega a 161 Km/h, em 2ª a 198 e em 3ª a 231. Mas o que conta nessa moto não é a máxima em cada marcha, mas sim, a velocidade com que ela chega em cada uma, pois o giro do motor cresce muito rápido.

     No final da reta do Autódromo de Jacarepaguá chegou a “apenas” 193 Km/h, mas em segunda marcha! Na pista de testes chegou a 290 Km/h. Pena que a reta acabou.

     É importante frisar que mesmo fazendo os testes das motos nas mesmas pistas, de forma nenhuma isso pode ser considerado um comparativo, já que ando em condições climáticas e de pista totalmente diferentes (sol, chuva, vento, pista emborrachada, pista suja, pneus diferentes, etc...).

     A R1 sempre funciona por volta de 101 graus centígrados tanto na cidade quanto na estrada, e aos 104 a ventoinha arma. No trânsito chegou a 116.

     Ela tem um design bastante agressivo, e os dois escapamentos saindo para o alto reforçam essa imagem. O rosnado que eles produzem é imponente, porém, como passam perto das pernas, aquecem um pouco se você não andar bem equipado. Mas de macacão, e rápido na pista, não senti nada. Há quem não goste do ronco dela e isso se resolve simplesmente trocando a ponteira do escapamento. Eu gosto.

     Sem combustível nem óleo, ela pesa 184 Kg. De ponta a ponta mede 2 m 07 cm, tem 1 m 13 cm de altura e 71,5 cm de largura. A distância entre eixos é de 1m 41cm, a altura mínima do solo de 13,5 cm. A altura do banco é relativamente alta, pois ele fica a 83,5 cm do chão.

     O quadro é do tipo Die-cast Deltabox em alumínio. A suspensão dianteira é garfo telescópico com forquilha invertida, com barras de 43mm de diâmetro e 120 mm de curso, com sistemas de amortecimento separados. Na esquerda estão as válvulas de compressão, e à direita estão as válvulas de retorno. Só na compressão são 34 regulagens. O ângulo de cáster é de 24 º. A suspensão traseira é braço oscilante com monoamortecedor, ambos ajustáveis.

     Vem com pneus Dunlop Sport Max de medida 120/70/17 na dianteira e 190/55/17 na traseira. Os freios são da Nissin com dois discos de 310 mm na dianteira e um de 220 mm na traseira.

     Como peguei noite na estrada, pude testar os faróis, que são bons. Tem duas luzes auxiliares laterais que se fossem em led ficariam mais charmosas. A luz do painel é ótima e os retrovisores também. São detalhes, mas são detalhes importantes, já que mesmo que você saia só para dar uma volta com a moto na estrada, pode pegar noite, como aconteceu comigo logo de cara.

     O painel é bem completo: tem a média do consumo instantânea ou geral, que pode ser em Km/l ou l/100km; temperatura do ar que entra e do ar que sai, ou seja, temperatura ambiente e a do motor que pode ser em Celsius ou Fahrenheit, relógio, dois odômetros parciais, 10 luzes espia e shift light. Mas... marcador de combustível pra quê?

     Como o consumo na estrada, segundo o computador de bordo, foi em média 10,5 Km/l, com os 18 litros de capacidade do tanque dá para rodar 180 quilômetros tranquilamente. Mas como abastecer em posto de estrada é “loteria”... Mais uma vez tive que empurrar a moto, e dessa vez, debaixo de chuva. O pior é que eles estão sumindo de todas as motos. Andando devagar, ela fez 12,74 Km/l.

     Debaixo do banquinho do carona tem 4 tiras que ajudam a fixar qualquer coisa que você queira amarrar em cima dele (que não seja a namorada, claro).

     Não esqueça de sempre conferir a calibragem quando sair com uma moto, pois basta que a moto fique um dia parada para que a pressão baixe.

     Tem três cores: preta, azul e vermelha e é a mais cara das super esportivas sem ABS à venda por aqui: R$ 57.000.

     É um “pancadão”! Foram 1.868 quilômetros em pista, cidade e estrada, inclusive à noite e com chuva. Km final: 5210. Após deixá-la de volta na concessionária, meu sentimento foi de saudades.

Confira a galeria completa aqui.




27 de Abril de 2012